
A queda de meio ponto percentual na taxa básica de juros surpreendeu até mesmo os mais otimistas, que esperavam, na melhor das hipóteses, na manutenção da Selic em 12,5% ao ano. Mas faz parte de uma nova visão do cenário econômico:
- O enfraquecimento econômico dos Estados Unidos e da Europa, no conjunto as duas maiores economias mundiais, vai ser mais longo. Isto faz com que a demanda mundial por matérias-primas, acabe ficando mais fraca, o que acaba forçando os preços, que em alguns casos se encontram bem elevados, para baixo. A tendência é de que a inflação não ganhe tanto vigor.
- Ao sinalizar que vai pagar menos pelos títulos públicos, com a redução da Selic, o governo mostra que a preocupação com a inflação é menor. Ao tornar os papéis públicos um pouco menos atrativos, o BC sinaliza que quer que mais dinheiro gire pela economia e seja direcionado para o setor produtivo, seja o consumo ou o investimento. Mas isto é algo cujos reflexos demoram para aparecer.
- Os juros cobrados pelos bancos, no médio prazo, tendem a cair. Mas não muito, uma vez que a inadimplência em algumas linhas de crédito, como a do cheque especial e a do cartão estão aumentando.
- A queda nos juros também muda o perfil de aplicações para os investidores. CDBs e fundos pré-fixados passam a ser mais atrativos neste momento de queda nas taxas, uma vez que o investidor já sabe quanto vai ganhar antecipadamente. O mesmo se pode dizer de títulos pré-fixados no Tesouro Direto.
- Juro em queda também é um bom sinal para a Bolsa de Valores. Como os fundamentos da economia brasileira são favoráveis (expectativa de crescimento para os próximos anos, inflação baixa, novos investimentos), pode se pensar em voltar a comprar ações. As que mais podem se valorizar são aquelas ligadas ao mercado interno: varejo, energia, construção, etc… Mas não dá para colocar todos os ovos na mesma cesta. Diversificar é preciso.
05:24
Douglas f. de Jesus
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